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História

Conservatória cresceu e prosperou durante o ciclo do café da economia brasileira, a partir do século passado. A cidade, hoje distrito do município de Valença, foi um importante elo na produção e circulação do produto, abrigando mais de 100 fazendas que plantavam o café e o escoavam pelo antigo caminho ferroviário que vinha das Minas Gerais e ia para a Corte, na cidade do Rio de Janeiro, de onde seguia para o porto e outras cidades do país.

O primeiro registro da localidade data do final do século XVIII, a partir de um relato de 1789, em que Conservatória era reserva dos índios Araris, "elegantes e desembaraçados", segundo o naturista Saint Adolph, um dos primeiros historiadores a registrar o fato. Diversas histórias justificam a origem do nome, sendo que a mais corriqueira diz que o lugar era conhecido como "Conservatório dos índios", um lugar de excelente clima e protegido por montanhas, onde os Araris se recolhiam para se recuperar de doenças que dizimavam as tribos e local no qual resolveram se instalar definitivamente. Em 1826, existiam cerca de 1.400 índios aldeados na reserva, vivendo felizes no lugar de onde seriam exterminados pelos desbravadores colonialistas. Vestígios dos Araris, como artefatos em cerâmica e algumas ossadas, já foram encontrados em escavações feitas em diversos locais da região.

Segundo Saint Adolphe, cientista botânico francês, os índios "Araris" eram quase brancos, elegantes e desembaraçados e, ainda, segundo Saint Hilaire, outro cientista francês que andou por estas plagas, "esses índios, pela aparência, costumes e desenvoltura, deviam ser descententes dos "Goitacás de Campos". E. Rugendas: "Os Araris eram, sem dúvida, resultantes do cruzamento dos "Coropós" com os temíveis "Goitacás" de Campos, que os venceram em batalha e os assimilaram.

 Trabalho escravo

Com a colonização, o povoado ganhou inicialmente o nome de Santo Antônio do Rio Bonito, em homenagem ao padroeiro da cidade e ao rio que atravessa a região. Mas a tradição dos índios falou mais alto, e o nome Conservatória ficou marcado para sempre. A prosperidade e riqueza vieram com a expansão da cultura do café, que utilizou largamente o trabalho escravo. As centenárias construções da vila, em estilo colonial, algumas do século XVIII, até hoje preservadas, evidenciam sua origem e algumas, inclusive, ainda ostentam telhas de época, feitas na coxa dos escravos. As ruas principais mantêm as pedras de pé-de-moleque originais da construção.

O estilo colonial inspirou vários romances famosos, alguns transformados em novelas, como Escrava Isaura, O Feijão e o Sonho, Sinhazinha Flô, Cabocla, Aquarela do Brasil, entre outros.

O braço escravo também está presente em outros monumentos da cidade, como a Ponte dos Arcos - construída para dar passagem a um dos trechos da antiga Rede Mineira de Viação, Conservatória-Santa Isabel do Rio Preto (e daí até Santa Rita de Jacutinga, em Minas Gerais) -, exemplo histórico da engenharia da época, com traços perfeitos e utilização de óleo de baleia nas ligas das pedras. Ou o Túnel Que Chora - assim conhecido por conta das gotas vindas da nascente sobre ele e em função de uma das canções de amor por Conservatória composta pelo seresteiro José Borges de Freitas ("...dizem que é de saudade que o túnel vive chorando...")-, com 100 metros de extensão, cavado na pedra bruta a mão pelos escravos e por onde trafegava a Maria Fumaça.

Serenata e paixão

A prosperidade econômica do final do século XIX deu início a outra tradição na vila: a das serenatas - a música cantada sob o sereno -, que hoje atraem mais de mil pessoas a cada fim-de-semana para a cidade, vindas dos mais diversos recantos do país e do exterior.

Um dos grandes motivadores da tradição da música na cidade é o Museu da Seresta, que tem o maior acervo de músicas de serestas do país - e um dos maiores do mundo -, criado pelos irmãos Joubert e José Borges. O museu mantém viva uma página da cultura musical brasileira, reunindo os seresteiros às sextas-feiras e sábados à noite, que de lá saem para cultivar o hábito, raramente quebrado, de cantar pelas ruas da cidade.

Em 1998, Conservatória comemorou 120 anos de serenatas. Conta a história que a tradição nasceu com um romântico professor de música e tocador de violino, Andreas Schmidt, que, em uma noite enluarada no silêncio do vilarejo, atraiu espectadores, e o professor Andreas passou a ter como rotina tocar seu violino na praça, nas noites estreladas. Aos poucos, músicos vindos de outros lugares passaram a acompanhar as serenatas do professor, e essa virou uma característica incorporada ao lugar.

Música e grandes paixões sempre estiveram de mãos dadas em Conservatória e geraram muitas histórias de amor. Certa vez, em 1938, Antonio Castello Branco, um abastado fazendeiro de Santa Isabel, distrito vizinho, que vivia uma paixão não correspondida por uma moça de Conservatória, resolveu demonstrar seu amor conforme a tradição. Colocou seu piano de cauda em cima de um caminhão e percorreu mais de 20 quilômetros em estrada de terra esburacada, só para tocar e cantar sob a janela da amada. Consta que o gesto deu resultado, e a moça aceitou o fazendeiro como esposo.

Conservatória exprime uma das formas de reação contra as consequências da urbanização acelerada, que caracteriza nossa etapa de desenvolvimento como país capitalista, mantendo suas características bucólicas de arraial, pacata e tranquila, cujos moradores de fala branda, afáveis e educados preservam seus costumes e se reúnem, vez por outra, para manter a tradição das festas juninas, da dança, da música, das quadrilhas e principalmente das serestas que tornam seu pequeno vilarejo um pólo de atração no estado do Rio de Janeiro. Em Conservatória, o culto às serestas, o casario colonial e as famílias tradicionais são ainda vestígios do século passado.

 Relíquias históricas

O fim do ciclo do café resultou na decadência da agricultura na região, e muitas das centenárias fazendas foram abandonadas. Algumas estão preservadas, inclusive mantendo uma pequena produção de café; outras mudaram sua atividade produtiva, e hoje desenvolvem a pecuária leiteira. Mas a beleza do lugar, sua deslumbrante paisagem, composta por vales e cachoeiras, as relíquias históricas preservadas no tempo e a tradição das serenatas abriram outros caminhos de sucesso para Conservatória.

Um dos símbolos da história do lugar que está logo na entrada na cidade: a antiga "Maria Fumaça", da Rede Mineira de Viação, que puxava os vagões de passageiros e também o trem com a produção de café, hoje estacionada em frente à antiga Estação Ferroviária de Conservatória, atual rodoviária. A linha ferroviária e a estação, inauguradas por D. Pedro II em 21 de novembro de 1883, foram extintas após a instalação da indústria automobilística no Brasil e da política de construção de rodovias para privilegiar o transporte rodoviário de cargas, nos anos 1960. Por aquela ferrovia, o vilarejo se interligava com o Rio e Minas, partindo de Barra do Piraí - município do qual Conservatória foi distrito de 1943 a 1948, quando passou a pertencer a Valença - e chegando até Baependi, após Santa Rita do Jacutinga, em Minas.

Outro ponto procurado por turistas e frequentado por moradores é o balneário municipal João Raposo, antes da estrada que leva a Valença, conhecido como Cachoeira da Índia por ter no meio do lago formado pela cachoeira uma escultura em bronze, que evoca uma mistura de índia com sereia. Alguns quilômetros no sentido de Valença fica o Ronco D´Água, ponto turístico com quedas de água que descem por uma encosta artificial, formando uma escadaria e fazendo com que seu barulho seja ouvido a quilômetros de distância.

Com o fim da ferrovia, Conservatória ficou isolada dos grandes centros. O acesso, por Barra do Piraí, Santa Isabel, Valença ou São José do Turvo, era precário, por estradas de terra, com cerca de 30 quilômetros, que muitas vezes ficavam interditadas na época das chuvas. Nem mesmo essas dificuldades, no entanto, afastaram os amantes das serestas e da cidade, que permaneceram fiéis à tradição, frequentando e divulgando o lugar.

Nos anos 1980, teve início a pavimentação do trecho de estrada ligando Barra do Piraí à Ipiabas, facilitando o trajeto até a cidade. Em 1998, finalmente, foi inaugurada a pavimentação por asfalto do trecho de 15 quilômetros entre Ipiabas e Conservatória, reforçando o desenvolvimento turístico da cidade e abrindo novas perspectivas econômicas para a região.

 Religião e mistérios

Os cerca de quatro mil habitantes do distrito recebem os turistas com o aconchego e afeto que só as cidades do interior conseguem manter. Barraquinhas oferecem artesanato e iguarias locais - bordados, roupas, quijos, doces - lembranças que os turistas levam do paraíso. A cada mês, é realizada, na Igreja de Santo Antônio, padroeiro da cidade, a missa dos seresteiros, que acompanham as orações cantando e tocando violão, mantendo as letras religiosas, mas com a harmonia das antigas serestas.

A igreja feita em "cantaria" - pedra grande lavrada para construções - começou a ser erguida em 1850 e sua construção levou quase 40 anos. Ela é feita em pedra sobre pedra com paredes de até 1,5 metros de espessura. Em seu interior, preserva um museu de arte sacra, com peças dos tempos do Brasil Colônia, como uma relíquia de Santo Antônio vinda de Portugal.

Para os místicos e esotéricos, Conservatória reserva outra surpresa: a Serra da Beleza, onde, nas noites estreladas, misteriosas luzes aparecem circulando pelo vale e deixando intrigados visitantes e moradores. Para estudiosos do assunto que frequentemente visitam o lugar para observação e filmagens ou turistas que simplesmente queiram se extasiar, a Serra da Beleza, que tem os dois pontos mais altos do município - o Pico do Cavalo Ruço, com 1.296 metros de altitude, e o Pico do Pires, com 1.300 metros -, descortina-se uma belíssima vista, que alcança a Serra da Mantiqueira e montanhas de Minas Gerais, das Agulhas Negras e de Itatiaia.

Os jovens de corpo ou de espírito também encontram seu espaço em Conservatória. Trilhas, passeios ecológicos, enduros, rally, pescaria e cavalgada são opções à espera do visitante. Acompanhados de guias, eles podem fazer caminhadas, passeios ecológicos ou cavalgadas pelo Cavalo Ruço e Pico do Pires, pelo Açude da Concórdia, onde está preservado um dos últimos resquícios da Mata Atlântica original, ou pela Serra do Segredo, cujo vale conduz a Destino, outro lugar da região com belas paisagens e trilhas por montanhas e vales.

As cachoeiras da região são um capítulo à parte para deleite do visitante. Dezenas delas oferecem opções variadas de diversão, como a Cachoeira do Véu da Noiva, cujo paredão possibilita a descida por cordas para os mais corajosos, a Cachoeira de São Fernando, localizada na fazenda de mesmo nome, com praia e onde fica a antiga hidrelétrica construída em 1926, ou a Cachoeira de São Bento, com 35 metros de queda d´água.

Os aficcionados por enduros e rally costumam percorrer as trilhas formadas pelo antigo leito da via férrea, que atravessa a região, passando sob a Ponte dos Arcos e pelo Túnel do Capoeirão - 400 metros de extensão de pedra bruta cavada a mão pelos escravos, o acesso é por um leito pedregoso que liga Pedro Carlos a Santa Isabel. No caminho, fazendas contenárias, vales e trilhas montanhosas fazem um paralelo de harmonia com a natureza.

Qualquer que seja a opção para conhecer seus mistérios, segredos e belezas, Conservatória reserva ao visitante encantos dos mais diversos. inclusive com passeios para visitar as fazendas históricas, como a Fazenda São Fernando, uma das grandes propriedades da época colonial, totalmente recuperada, ou a Fazenda Santa Clara, que guarda 217 anos de história da produção de café. A canoagem com caiaques de pequeno porte é praticada nos rios dos Índios, Barroso, Rochedo e São Fernando. Barcos maiores são ideais para o Rio Preto, já na divisa entre Minas e Rio de Janeiro.

 Escravos, cafezais e fazendas

Conservatória prosperou, graças aos ricos fazendeiros de café e gado. Em 1883 tinha 25.344 africanos e descendentes. Os africanos, como os índios, pertenciam à várias tribos - mais ágeis e mais rebeldes, o preço de um escravo variava conforme sua idade e condições físicas. Os escravos eram obrigados por chibata, a trabalhar o dia inteiro, de sol a sol, exceto aos domingos e dias santos, e dormiam trancados nas senzalas. Eram alimentados substancialmente, mantidos saudáveis e, se ficassem doentes, logo era chamado o médico e feito o tratamento. Eram batizados e casados na religião católica, pois assim era exigido pelos padres catequistas, porém, nem sempre a moral dos escravos era respeitada pelos brancos e daí a mestiçagem; acontecia muitas vezes que os filhos dos escravos com os brancos continuavam escravos de seus pais e irmãos.

O tratamento dado aos escravos variava muito conforme o caráter de seus senhores, se o escravo era trabalhador e comportado, tinha um dia na semana para fazer sua roça produzir seus alimentos. Várias fazendas compõem, este círculo de localidades centenárias de Conservatória, como a Fazenda Veneza, Fazenda Juréa, Fazenda Florença, Fazenda São Lourenço, Fazenda São José, Fazenda Paraíso, São Pedro dos Rochedos, São Fernando, Santa Bárbara, São Marcelo.

Bons tempos em que essas fazendas monumentais fervilhavam de opulência: As sinhazinhas reinavam com suas maneiras, esmerava sua educação. Não havia casa sem um piano de cauda, onde eram realizados vários saraus. As fazendas adotaram o estilo fortemente influenciado por um esquema neoclássico, de tendência eclética, muito em moda na Europa depois do Rococó. Os solares se harmonizavam com outras edificações. Eram erguidos sobre fundações de pedra, as quais se sobrepunham pesados baldrames de madeira-de-lei, obtidos das melhores essências nas próprias fazendas. Essas residências foram inspiradas na arquitetura portuguesa e no neoclássico napoleônico. As fazendas que compõem o círculo monumental de Conservatória, quase século e meio depois, são testemunhas oculares dessa história.

 Conservatória de hoje

O distrito de Conservatória, cuja denominação anterior era Santo Antônio do Rio Bonito, fica num apertado vale da Serra do Rio Bonito, com área aproximada de 240 km². Limita-se com o estado de Minas Gerais, distritos de Santa Isabel do Rio Bonito, Parapeúna, Pentagna, Valença e com o município de Barra do Piraí. Situado a uma altitude de 518 metros, tem população fixa de 4.000 habitantes, segundo o censo demográfico do IBGE de 1980.

O declínio da produção cafeeira, que em 1895 era de 72 milhões de quilos, decresce para 54,5 milhões em 1904 e chega a 35 milhões em 1918, conforme dados do Esboço de Geografia Econômica do Estado do Rio de Janeiro, de Matoso Maia Forte. Com isso, os terrenos de cultura e mata circunvizinhas transformam-se em pastos para criação de gado bovino, criando perspectivas de lucros para os fazendeiros da região. Inicia-se, então, a importação de espécies reprodutoras ao mesmo tempo em que crescem indústrias de laticínios, para o que concorrem as fazendas de gado de Conservatória, 33% das cabeças de todo o Município de Valença.

Em 1925 já funcionam máquinas elétricas para pasteurização do leite, fabricação de gelo e de manteiga para exportação. E a Cia. Fluminense de Laticínios embarca, pela Rede Sul Mineira, cerca de 250 quilos de manteiga e 6.000 litros de leite. Atualmente, quase toda a produção leiteira de Distrito é comercializada para a Nestlê, através da Cooperativa que monopoliza a distribuição, destinando pequena parcela para o consumo da população.

Dos 580 estabelecimentos rurais do município de Valença, mais de 120, pequenas e médias propriedades, ficam em Conservatória, e empregam trabalhadores brasileiros, na lavoura e nos pastos. Numa ou noutra fazenda há o emprego de mão-de-obra de descendentes estrangeiros, datando de 1889 a primeira tentativa para o aproveitamento dessa mão-de-obra na agricultura. Foram localizados, neste ano, imigrantes italianos que, após pequena permanência, se retiraram eme busca de melhores salários e de melhores vantagens na locação de terrenos exploráveis. Famílias tradicionais do município de Valença, como os Cosate, Pentagna, Cappobianco, Riccio, Jannuzzi e muitos outros, são vestígios da passagem desses imigrantes italianos pela região.

Informações colhidas com tradicionais moradores de Conservatória, como os Srs. claudio Carielo da Fonseca e Luiz Alberto Figueiredo Fernandes Leite, atestam que muitas das importantes fazendas da região ainda permanecem com descendentes dos antigos fazendeiros do século passado e todas se dedicam, principalmente, à pecuária, sendo que algumas, além da plantação de milho (usado principalmente para ração) e cana-de-açúcar, voltaram à produção, em grande escala, de pés de café. Muitas dessas propriedadess têm sido desmembradas em minifúndios por herdeiros e descendentes de seus primitivos proprietários como: Dr. Antônio Joaquim Fortes de Bustamante, Domiciano José de Souza, Francisco Leite Ribeiro, Gustavo Adolpho Borges, Fortunato Coelho Seabra, Luciano Alves Gomes, Manoel Alves Gomes e Anastácio Leite Ribeiro.

Algumas propriedades ilustram o quadro agropecuário da região, tais como as fazendas São José, Florença, Veneza, Juréa e a Fazenda do Paiol Novo.

Na região denominada Cel. Cardoso, que pertencia ao Cel. Manuel Joaquim Cardoso, encontramos as importantes fazendas de São Paulo, São Fernando, São José e São Francisco. As duas primeiras possuem tachas de alambiques de 2.000 litros para a fabricação de açúcar, engenho de cada, aquecedores icluindo alambique e engenho de serra tipo serrote deitado, ainda do tempo do Império. A de São Paulo tem mais de 800 alqueires com dois milhões de pés de café e uma extensão de mais ou menos 180 alqueires de mata virgem. A de São Fernando, cuja atividade atual é o laticínio, possui mais de 500 alqueires de terra. Além dessas, outras menores, porém expressivas, se localizam tanto em Conservatória como em distritos vizinhos, como as de Guaritá e Santa Mônica, esta localizada no vizinho município de Barão de Juparanã, pertencente ao Ministério do Exército e onde morreu o Cel. Luiz Alves de Lima, o Duque de Caxias. É também o caso da Fazenda de São Lourenço, cujo proprietário atual é Tarso Fragoso Pires, e da Fazenda de Santa Clara, localizada no Distrito de Parapeúna, na divisa dos Estados do Rio de janeiro e de Minas Gerais, uma das maiores da região. A casa Grande desta fazenda, construção característica do século XIX, possui 365 janelas, tem mobiliário e obras de arte, expressão da época.

Conservatória sofre, como outras localidades do Estado do Rio de Janeiro, o problema do êxodo rural. No seu caso particular, esse fenômeno não lhe traz grande abatimento econômico devido ao fluxo turístico, 90% do Rio de Janeiro e de São Paulo, atraído pela tranquilidade bucólica e por apresentações teatrais, musicais e esportivas. Atrações destacadas são as famosas serestas e serenatas realizadas aos sábados, noite adentro. Os turistas hospedam-se nas fazendas, casas de família, hotéis e pousadas.

Além das atividades econômicas ligadas à pecuária e ao turismo, Conservatória é conhecida, sobretudo, por suas manifestações musicais e de artesanato, produzidas por seus moradores. Mas o que melhor caracteriza Conservatória, nesse aspecto, talvez seja a transfiguração de comerciantes, fazendeiros, peões, colonos em cantadores e violeiros que se juntam em festa seresteira com os de outras localidades, tornando a pequena Conservatória palco importante de expressão musical.

 Cronologia

          1789 - A região de Conservatória era dominada pelos índios Araris, por alguns historiadores, às vezes denominados Purus ou Puris.A princípio "Conservatório", mais tarde "Conservatória dos Índios".

Iniciou-se a catequese dos índios dessa região. Essa tarefa foi confiada ao Capitão Inácio de Souza Werneck, ao fazendeiro José Rodrigues da Cruz e ao Padre Manoel Gomes Leal.

          1820 - Ao aldeiamento dos índios Araris foi dada uma légua de terras, medidas e demarcadas, e confirmadas por D. João VI, no tempo em que os Ouvidores do Rei, e mais tarde os Juízes de Órfãos, faziam inspeções sobre os bens dos índios. Mas, já nessa época, alguns terrenos foram aforados, mais tarde sendo ocupados por posseiros e descendentes dos antigos foreiros. Não constava na Prefeitura de Valença nenhum documento que destinasse essa légua de terras para os índios.

          1824 - Criação do Curato de Santo Antonio do Rio Bonito no lugar designado como Conservatória dos Índios.

          1836 - Anexação ao Curato de Santo Antonio do Rio Bonito de uma parte do Curato das Dores pelo decreto n. 56 de 9 de dezembro.

          16 de agosto de 1838 - Aprovado o serviço de arruamento. A planta da aldeia foi confiada ao Major Cesar Cadolino, o mesmo que desenhou a planta de Valença.

          1839 - O Curato transformou-se em Freguesia e separada da Freguesia de Valença (dec. 136 de 19/03/1839) confirmado pelos decretos estaduais n. 01 de 08/05/1892 e 1ª de 03/06/1892. Foi construída a primeira capela dedicada a Santo Antonio, no terreno onde hoje se localiza o Colégio Estadual Alfredo Gomes. Essa capela foi destruída em um incêndio anos mais tarde.

          1845 - Construção de um cemitério por iniciativa do Major Anastácio Leite Ribeiro, do lado esquerdo da estrada para o Turvo. Denominou-se Cemitério Santo Anastácio. Calçamento da Rua do comércio (hoje R. Dr. Luiz Pinto) e do Largo da Matriz (hoje Praça Getúlio Vargas).

          1848 - Funcionamento da primeira escola masculina.

          8 de janeiro de 1849 - O povo de Conservatória enviou ao Governo Imperial, representação pedindo a instalação de uma agência postal, tendo sido instalada nesse mesmo ano e sendo nomeado agente o cidadão Joaquim Pedro de Almeida.

          16 de junho de 1849 - Criação de um Distrito de Paz na Freguesia de Santo Antonio do Rio Bonito. Criação de uma Sub delegacia de Polícia.

          22 de abril de 1850 - Subscrição para construção de uma igreja em cantaria em substituição à antiga capela destruída em um incêndio, por solicitação do então vigário Pe. João Batista da Cunha, sendo construída a atual Matriz nas terras de Anastácio Leite Ribeiro. Contribuíram para a construção os ricos fazendeiros da região, a Câmara Municipal e o governo da Província. A igreja ficou inacabada, pois lhe faltaram as torres.

          1853 - O Barão (futuro Conde) de Baependi funda outra escola na Freguesia, também apenas para meninos.

          1859 - Instalação de mais escolas particulares: a de José Amaro de Lemos Magalhães e a de D. Rita Sá Lobato.

          23 de janeiro de 1871 - Concorrência pública para construção de novo cemitério em terreno doado por D. Claudiana do Espírito Santo e foi construído por iniciativa do Capitão Antônio Coelho Magalhães, do lado direito da estrada para o Turvo.

          26 de março de 1873 - A Câmara Municipal aprovou o primeiro abastecimento de água da Freguesia, feito com águas da nascente à margem esquerda do Rio Bonito, por iniciativa do Capitão Antônio Moreira C. Magalhães.

          1878 - Calçamento da Rua Direita (hoje R. Oswaldo Fonseca).

          1880 - Construção de um necrotério em terreno doado por D. Mariana Cláudia de Carvalho. Início da construção do Túnel que Chora e da Ponte dos Arcos.

          21 de novembro de 1883 - D. Pedro II inaugura a estação ferroviária. A estrada de ferro entre Barra do Piraí e Bom Jardim de Minas foi construída em fases, sendo concluída em 1909. Calçamento do Largo da Concórdia (hoje, da rodoviária).

          1885 - Aprovação de uma proposta para iluminação pública com postes a querosene, do Vereador Adolfo de Carvalho Gomes. Os postes foram doados pelo governo da província.

          1895 - Nova canalização de água potável por José Antônio Ribeiro.

          1902 - Surto da febre amarela.

          1903 - Montagem de uma carpintaria, uma ferraria e luz a gás de carbureto feito por Benjamim Miguel Nossar.

          1908 - Nuvem de gafanhoto devora hortas, plantações e cafezais.

          1913 - Construção do Jardim de Baixo, hoje Praça Catarina R. Quaglia, por particulares com tanque d´água e jardim.

          1918 - Firmado contrato com o cidadão José Justino de Azevedo para instalação e conservação de iluminação elétrica na sede do distrito por prazo de 20 anos. A usina era na Fazenda da Ponte, passando depois para a Usina do Córrego da Prata no Sítio do Silvrestre.

          13 de junho de 1931 - Inauguração da Casa de Caridade de Conservatória, por iniciativa do Dr. Luiz de Almeida Pinto.

          31 de março de 1938 - O distrito passa a denominar-se simplesmente Rio Bonito. O nome alterou-se de Rio Bonito para Conservatória pelo decreto estadual n. 392 A.

          28 de abril de 1938 - Fundação do Conservatória Futebol Clube.

          31 de dezembro de 1943 - O decreto estadual n. 1055 transfere Conservatória de Valença para Barra do Piraí, permanecendo assim até 1948.

          25 de janeiro de 1950 - Fundação do C. E. Alfredo Gomes, chamado inicialmente de Escolas Reunidas de Conservatória, passando a se chamar Escola Alfredo Gomes em 1955, por iniciativa do Vereador Pedro Ramos Gomes.

          1954 - Fundação do Instituto Medianeira pelo Pe. João Pedron. Primeira linha de ônibus para Valença.

          1955 - Loteamento da atual Raia e do Bairro de Santa Catarina.

          1961 - Extinção da Rede Mineira de Viação e retirada dos dormentes, com a abertura da estrada de terra entre Conservatória e Barra do Piraí, por iniciativa do então Presidente Jânio Quadros.

          1974 - Reforma da antiga estação ferroviária em rodoviária.

          1998 - Asfaltamento do trecho de 15 quilômetros entre Ipiabas e Conservatória.
 

Discos voadores
Conservatória é atualmente considerada um dos principais pontos de observação de ovnis, sendo inclusive realizados lá congressos e festivais de filmes de ufologia.



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